CONHEÇA: "REZADEIRA - O CASO DA FAMÍLIA CABRAL"

PORQUE VOCÊ NÃO DEVE DIZER QUE UMA IMAGEM VALE MAIS DO QUE MIL PALAVRAS

Imagem: Google
"Uma imagem vale mais do que mil palavras" foi dito por Confúcio (551 a.C. - 479 a.C.), popular Filósofo chinês, para expressar o poder da fotografia na comunicação. A frase pode ser facilmente desconstruída com uma leitura do artigo "Imagens do passado e do futuro: o papel da fotografia entre memória e projeção", por Ana Taís Portanova Barros.

Portanova trás uma distinção entre Discurso Verbal e Discurso Visual. Segundo ela, a discurso verbal analítico tem a capacidade de argumentar e demonstrar; a fotografia não tem. Veja a imagem abaixo:


Desconsiderando a legenda da fotografia (e o jornalismo também), que outros indicadores teríamos do fato registrado? Como saberíamos o local, data e turno em que aconteceu o incêndio? Signos (entenda por 'signos' elementos na imagem capazes de situar o 'leitor') como os roupas dos bombeiros talvez sirvam para expressar temporalidade na visão de algumas pessoas; que tenham o conhecimento de que o atual modelo, por exemplo, possua algo peculiar em relação aos trajes anteriores do corpo de bombeiros do país. Mas, o signo estaria explícito apenas para as pessoas que tivessem esse conhecimento pré-estabelecido e, ainda assim, haveria a possibilidade da imagem inteira não passar de uma encenação ou mesmo montagem feita no photoshop. Portanova diz que os pressupostos sintéticos da fotografia são ambíguos; ela favorece o "vôo da imaginação".

Ana Taís Portanova Barros,
autora contemporânea brasileira.
Entretanto, o da autora objetivo não é criar um embate entre fotografia e palavra. Ela reconhece a importância de ambos e de como se complementam. A questão é: a fotografia não desempenha a função que o senso comum acredita.

No capítulo primeiro do livro "Ética, Jornalismo e Liberdade", Francisco José Karam diz que ao ler uma imagem, para compreendê-la, nós a traduzimos em palavras e o que representam. Segundo Karam, seria inadmissível aceitar que se diga valer uma imagem mais do que mil palavras, como se nessa imagem "não houvesse milhares de palavras ou conceitos".

Karam e Portanova tem argumentos sobre a imagem que caminham no mesmo sentido. Para Portanova, a interpretação que temos da imagem muda conforme os contextos espaço-temporais nos quais estamos inseridos. "As pessoas percebem imediatamente uma imagem de acordo com a acumulação anterior do saber e da particularidade com que ela foi recebida" escreveu Karam.

Espero que tenham gostado da explicação. Pretendo postar novos assuntos em breve. Deixa seu comentário e segue o blog no fim da página (;  


Carlos Rodrigo

Escritor. Blogger. Graduando em Jornalismo. Autor do conto "Rezadeira - O Caso da Família Cabral".

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